Lanchonete

Programação de Encerramento

Vídeo: Coletivo Coletores

Quando o Lanchonete.org alcançou seu marco de cinco anos, nós tínhamos um ímpeto que não poderia parar facilmente no dia 31 de dezembro de 2017. De fato, a essa altura nós tínhamos algumas atividades–o Museu da Vizinhança, os Almoços de Segunda, uma futura “aula aberta” sobre poder local e o espaço comunitário, para redesenhar com parceiros de ambos dentro e de fora da comunidade–que mereciam conclusão. Também haviam artistas e “makers” adicionais que queríamos que acolhessem a desmontagem da plataforma. Basicamente, nós ainda tínhamos algumas coisas a mais para realizar como um grupo. Poderia até ser argumentado que o “ano de encerramento” foi um momento importante para nós, para termos uma série de residentes, assim como convidados –internacionais e locais– que nos ajudaram a compor ideias e evitar “groupthink” consistentemente ao longo da duração do projeto.

No início de 2018, hospedamos o fotógrafo Akinbode Akinbiyi, baseado em Berlim. Seu trabalho começou em uma pequena loja espiritual nigeriana no centro, próxima ao Edifício Copan, onde Akinbode residiu. Isso correspondeu com a segunda visita dos estudantes do KTH Royal Institute of Technology de Estocolmo, que trabalharam com parceiros locais da Escola da Cidade para começar o início de um processo de “charrette” incremental com os residentes do Conjunto Santos Dumont, o conjunto modernista onde a lanchonete está localizada, no edifício 14 Bis. Nós fechamos a nossa residência principal no Copan pouco tempo após a estadia de Akinbode. Porém, o apartamento no Conjunto Santos Dumont, no edifício adjacente Demoizelle, aberto para a residência do Amber Art & Design (Filadélfia) e a montagem do Museu da Vizinhança, ainda estava funcionando para acomodar a aula aberta e os almoços de segunda no período após o carnaval e até o final de junho de 2018. Durante este período, os artistas Mickael Marchand (França), Chico Togni (Brasil), Kadija de Paula (Brasil), e Jade Tang (Paris), todos moraram no apartamento na Rua Paim, durante períodos curtos. Um dos principais documentaristas do projeto do Lanchonete.org (2016-2018), o fotógrafo Leandro Moraes, também se hospedou no apartamento do Conjunto, para apoiar as aulas abertas e os almoços de segunda que outros membros estavam planejando e organizando. Durante a primeira metade de 2018, as atividades no apartamento, transformado em Museu da Vizinhança, geraram mais eventos públicos no Bar do Tarcísio no térreo do Edifício 14 Bis e no espaço público geral do Conjunto Santos Dumont. Durante este período, o revestimento da parte exterior do prédio Demoizelle foi concluído, e a rua interna do conjunto foi pavimentada, paga pelos três edifícios do Conjunto Santos Dumont e seus moradores. Isso tudo parece ter mudado os padrões de uso desta rua interna.

 

Visitas, residências, encontros:

 

Visita da KTH Royal Institute of Technology de Estocolmo


Visita à Ocupação 9 de Julho


Akinbode Akinbiyi


(para fora) Open Engagement


(foto: Linda Fernandez)

Apresentação de Raphael Daibert e Paula Van Erven (Lanchonete.org), com o parceiro Keir Johnston (Amber Art & Design), sobre o projeto “Museu da Vizinhança”, durante a conferência “Open Engagement”, sobre arte socialmente engajada. Nova York, Maio/2018.


Curso Livre (Poder Local)

Em parceria com a Escola da Cidade e os arquitetos do Habita-Cidade, o Lanchonete.org desenvolveu o curso livre: “Poder local – estratégias em prol da comunidade: Desenvolvimento de projetos coletivos com e para comunidades”. O curso apresentou e debateu estratégias no sentido de como trabalhar em parceria com uma comunidade e como facilitar e garantir dinâmicas comunitárias. O local de atuação e diálogo encontra-se no Museu da Vizinhança, no Conjunto Santos Dumont. Um parceiro diferente do Lanchonete.org ministrou cada sessão de aula, que sempre terminavam com o tradicional Almoço de Segunda.


Almoços de segunda

Uma série de almoços preparados pelo membro do Lanchonete.org, Abdoulaye Guibila, ocasionalmente com outros cozinheiros convidados/parceiros, para os vizinhos no prédio Demoizelle. Os almoços às vezes tinham um tema de conversa específico, e visitas the convidados locais e internacionais.


Festa Julina

 


Hacking Dakar


Corpos Cartográphicos


fotos: Daniela Cordeiro e Coletivo Via

uma co-curadoria Coletivo Coletores – Lanchonete.org

É possível representar histórias ainda não contadas? Como fomentar momentos de encontro que não carecem de presença física? Como criar lugares de aprendizagem em trânsito apenas no correr do tempo? Imaginar as consequências de um simples lançar de dados e as possibilidades que criam as relações entre corpos e lugares podem ser tão atômicas e colossais, assim como na casualidade de um jogo de tabuleiro, na qual, durante uma determinada temporalidade sujeitos, ações e cenários se encontram e criam maneiras de interagir, participar e por que não, subverter? De certa maneira, a construção de identidades individuais e coletivas partem do mesmo princípio casual e causal, em que encontros, lugares, durações e percursos fazem dos corpos físicos e simbólicos espaços de memórias, conflitos e transformações. O “além” não é nem um novo horizonte, nem um abandono do passado. Encontramo-nos no momento de trânsito em que espaço e tempo se cruzam para produzir figuras complexas de diferença e identidade, passado e presente, interior e exterior, inclusão e exclusão.

O autor Homi K. Bhabha nos faz perceber que entre os lugares, as pessoas e o tempo existe um “entre lugar”, o que preferimos chamar de interstício, um espaço entre uma coisa e outra, ou entre aquilo que está junto, ligado. Coincidentemente no ano de 2018, foi descoberto um novo órgão humano chamado de interstício, que aparentemente durante nossa existência se apresentou invisível, ao mesmo tempo em que se apresenta como fundamental para compreender uma série de questões sobre o funcionamento do nosso corpo.

Somando forças depois de anos de diversas parcerias, Coletivo Coletores e Lanchonete.org, trazem esta proposta curatorial para esses dias de programação intitulada “Corpos Cartográficos” enquanto uma representação de espaços de acontecimento entre um indivíduo/comunidade, a história, a cidade, a memória e suas contradições.


Viagem à Residência Artística Kaaysá em Boiçucanga, SP
Kaaysá é uma residência temporária para artistas e criadores que desejam desenvolver suas poéticas à partir do contato íntimo com a Mata Atlântica brasileira, o mar e uma comunidade de pescadores, caiçaras e indígenas que habitam seu entorno. No dia 9 de setembro, A Associação Espaço Cultural Lanchonete juntará alguns de seus parceiros e pensadores urbanos, para viajarem para fora de seu habitual entorno urbano em direção ao lindo litoral de Boiçucanga, onde o grupo ajudou a residência de Kaaysá a desenvolver seu novo programa.

 


fotos: www.instagram.com/kaaysa_artresidency


Textão

A palavra textão é uma expressão comumente utilizada pelas comunidades negras, feministas e LGBTQIA+ brasileiras. O artifício do textão costuma ser acionado quando pessoas dessas comunidades sofrem algum tipo de agressão. Nesse momento é sentida a necessidade de uma tomada de posição frente a um determinado fator social gerador de opressão. Essa fala ou texto são normalmente endereçados a pessoas cisgêneras, majoritariamente homens, brancos, heterossexuais e com alto poder aquisitivo, para lembrá-los de seus privilégios e da posição específica que ocupam dentro de um sistema colonial violento, pautado em marcações de classe, raça, gênero e sexualidade.

São trabalhos que nos trazem, por meio do texto e suas diferentes performações – na música, na poesia, na performance, no campo acadêmico, nas mensagens políticas, nas experimentações gráficas, no vídeo e até mesmo nas conversas cotidianas –, diversas perspectivas e falas que se cruzam, divergem e expandem as maneiras de pensar e experimentar o mundo hoje. Um mundo que nos obriga a lidar, simultaneamente, com fortes regimes de precarização, como aqueles vividos nos museus públicos do país, e a necessidade de continuar se movendo.

Acreditando no poder mobilizador da palavra, especialmente manifestada por vozes que foram historicamente silenciadas, o espaço expositivo se utiliza de estratégias virais de reprodução dos textos e pensamentos desses participantes. Busca, assim, contaminar o centro e as extremidades da cidade, a partir da encruzilhada onde se situa o museu. Encruzilhada entendida, assim como o textão, como ponto crítico e campo de possibilidades, em que uma posição, em determinada direção, deve ser tomada.


Terroir na Paim

Em 2013, o artista, arquiteto, e membro do Lanchonete.org , Thiago Gonçalves, fez uma performance baseada em comida chamada “Acarajé e Gravura” na Ocupação São João, para a Bienal de Arquitetura de São Paulo do mesmo ano. Em 2015 ele recontou a “história” da migração no Brasil com outra performance na participação do Lanchonete.org no Bamako Encounters, chamada “Maniçoba” (prato feito com uma planta comum a ambos o oeste da África e o Brasil). No final de novembro de 2018, Thiago concebeu o “Terroir da Paim,” uma intervenção que envolvia secar (e comer) carne, na passagem interna do Conjunto Santos Dumont, ajudando o Lanchonete.org a re-imaginar o conceito da “charrette” (ou de consulta comunitária) no planejamento urbano e o passo culminante de uma série de encontros de design social que ocorreram ao longo dos últimos dois anos. O próximo passo é a construção de uma área de lazer (incluindo um jardim e iluminação) para a estrutura modernista composta dos três prédios e seus 499 apartamentos.


Discussão de Lançamento da revista Arq.urb, na Tapera Taperá


Seminário Internacional “Gentrificação: medir, prevenir, enfrentar”, Goethe Institut e FAU-USP


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